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A
conquista e a manutenção da estabilidade macroeconômica
decorrem essencialmente do correto alinhamento estratégico
e administrativo e da adequada dosagem da adoção
de políticas econômicas. Em todas essas políticas
surgem o papel vital do sistema bancário e sua extraordinária
capacidade em atuar ao mesmo tempo em dois níveis muito
distintos e complexos: o agregado, já que ele interpreta
e age em face das políticas que são formuladas e
adotadas pelo Ministério da Fazenda e Economia e pelo Banco
Central; e o micro, já que os bancos lidam no dia-a-dia
com as instituições públicas, as corporações,
as pequenas e microempresas e as pessoas, indistintamente. Senão
vejamos:
- Na política monetária, os bancos traduzem para
a prática a captação de depósitos
à vista e a prazo; identificam e selecionam as empresas
e pessoas que querem e recebem empréstimos, financiamentos
e repasses; e são os grandes compradores e vendedores de
títulos da dívida mobiliária interna e externa
pública. Os clientes dos bancos aplicam em títulos
e fundos de renda fixa, cujo lastro maior é fornecido pelo
título público. Desse modo, os bancos conciliam
as necessidades de emissão, rolagem e expansão de
papéis do governo, com os interesses de aplicação
em ativos financeiros seguros por parte dos investidores individuais.
Ademais, como os bancos utilizam os recursos livres dos depósitos
à vista e a prazo para emprestar, e com isso contribuem
para reforçar o capital de giro das empresas e os investimentos,
eles são otimizadores de alocação de recursos.
Ao atuarem nas duas pontas constituintes do mercado, os bancos
conciliam interesses e contribuem para estabilizar a economia.
- Na política de estado e fiscal, os bancos agem como uma
ponta coletora do governo, ao receberem a arrecadação
de impostos, repassando-os a seguir ao erário público,
logo, ao Tesouro Nacional e Estadual. A pedido do governo, e arcando
com custos inerentes a esse processo, os bancos oferecem serviços
de pagamento de contas de luz, gás, telefone e outras,
que podem até ser ínfimas e cujo custo de compensação
chega a ser relativamente elevado. Ademais, em processos de privatização
de empresas estatais, os bancos preparam o movimento privativista,
identificam compradores potenciais (podendo ser um deles), participam
dos leilões, buscam e trazem capitais do Brasil e do exterior
para viabilizar essas operações e pagam o Estado.
Os bancos participam do saneamento de bancos estaduais, de estruturas
de gestão públicas e aplicam os recursos de governos,
agindo como a extensão da tesouraria e do caixa do Estado
e a ele respondendo e visando a satisfazer.
- Na política cambial, os bancos e suas corretoras são
os maiores intermediários compradores e vendedores de moedas
estrangeiras, para atenderem os exportadores e os importadores
na ponta comercial, assim como os credores e devedores na ponta
financeira. Ademais, os bancos participam de leilões cambiais
e dão aos seus clientes preciosas informações
e sugestões sobre a formação e a expectativa
de evolução da cotação do câmbio
e das taxas de juros internacionais. Eles contribuem para otimizar
o posicionamento em tesouraria das empresas exportadoras, importadoras,
tomadoras de empréstimos, lançadoras de securities
no exterior e aplicadoras em títulos públicos e
privados internacionais.
- Na política de preços, os bancos podem contribuir
no combate à formação da inflação.
Quando escasseia a produção em face da demanda em
ascensão, os preços podem subir e gerar inflação,
o que é nocivo ao sistema econômico. Emprestando
dinheiro, os bancos contribuem para a construção
embutida nos investimentos e ajudam a ampliar a produção,
logo, a oferta. Ademais, quando as pressões de curto prazo
são fortes, eles podem conceder linhas de crédito
para a importação. Aportando mercadorias estrangeiras
a preço menor e na quantidade desejada, as pressões
inflacionárias se esvaem e a população vê
sua demanda por produtos e serviços estrangeiros satisfeita.
- Na política de comércio e finanças internacionais,
os bancos podem promover alianças estratégicas com
o capital estrangeiro, com agências supranacionais como
o World Bank e o Banco Interamericano de Desenvolvimento e outras
entidades afins, aumentando o leque das opções de
capitalização de projetos públicos e privados
e contribuindo com a redução da taxa média
ponderada de juros.
Por todos esses motivos, os bancos exercem práticas estabilizadoras
e sadias, favoráveis ao equilíbrio interno e à
expansão agregada das nações.
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