:: O E-learning no Setor Bancário

A indústria bancária, que há anos ocupa a primeira posição no ranking dos setores da economia que mais investem em tecnologia da informação (TI), já conquistou o segundo lugar quando se trata de soluções de e-learning, atrás apenas da indústria de telecomunicações.

A Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos), que estima em R$ 3,1 bilhões o montante aplicado pelos bancos em TI em 2001, contra R$ 2,9 bilhões no ano anterior, ainda não pôde calcular que parte do bolo corresponderia a soluções aplicadas à formação, treinamento e reciclagem de recursos humanos.

Não houve tempo para isso. Afinal, a disseminação do e-learning começou há muito pouco tempo.

Mas a IDC (International Data Corporation), numa pesquisa em que ouviu mais de 300 instituições financeiras que hoje operam no Brasil - públicas e privadas, nacionais e estrangeiras - apurou que, em 2001, 53% já fizeram algum tipo de investimento em sistemas de treinamento que exploram a Internet como plataforma de comunicação. Em 33% dos casos, o conteúdo dos cursos on-line dizia respeito à gestão/administração, enquanto em outros 28% se referia a sistemas, processos e rotinas.

A pesquisa é preciosa, sobretudo para os provedores de soluções de e-learning, que, no mercado brasileiro, ainda segundo a IDC, devem faturar 54 milhões de dólares em 2002, experimentando crescimento superior a 200% em relação a 2001. O estudo que mapeia o nicho de mercado representado pelos bancos dá aos provedores de soluções de e-learning os primeiros subsídios de orientação às respectivas necessidades do setor de Recursos Humanos.

Os bancos brasileiros não estão apenas entre os primeiros no mundo, quando se trata do uso de soluções de TI, batendo seus pares até mesmo nos países do chamado Primeiro Mundo. Outra de suas características é andar sempre adiante do próprio tempo e, em alguns casos, até mesmo investir internamente em soluções sob medida. Foi assim, por exemplo, com a Caixa Econômica Federal, que é líder na utilização de tecnologia aplicada à educação e treinamento. O primeiro curso via Intranet Caixa foi lançado em setembro de 1999 num gerenciador próprio, só para se dar dimensão do pioneirismo desse banco.

Diversos outros bancos nacionais como o Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Unibanco, só para citar alguns exemplos, também já apresentam estratégias e ações concretas no que se refere à utilização da tecnologia e-learning. Os investimentos em TI, desenvolvimento de conteúdos e prestação de serviços estão em andamento fazendo com que, com certeza, os resultados comecem a aparecer já em 2003
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Dizem alguns bancos, porém, que a indústria de TI ainda não encontrou uma forma de atendê-los com soluções flexíveis, que respeitem o fato de cada instituição querer ter sua própria cara, mas que nem por isso impliquem custos além do aceitável. Essa percepção é ainda mais forte quando se fala em softwares estrangeiros que se fazem representar no mercado brasileiro.

Aparentemente, essa é uma equação difícil, mas que se pode resolver.

A boa notícia para o setor bancário é o surgimento de uma comunidade de empresas e tecnologias nacionais que, com o oferecimento de soluções sob demanda, conseguem adequar-se à realidade cultural e orçamentária do setor bancário brasileiro, entregando um produto customizado às necessidades específicas de cada projeto. Um exemplo concreto disso é a Associação de Bancos do Estado do Rio de Janeiro. Ao completar 80 anos de existência, a Aberj, com tradição em cursos presenciais, resolveu lançar, em setembro deste ano, seu Portal de Educação a Distância. A empresa Eduweb desenvolveu a solução completa em e-learning, provendo a tecnologia necessária a partir do software AulaNet, além de toda a produção de conteúdo do Portal. Os cinco primeiros cursos desenvolvidos foram: Vendas; Atendimento; Prevenção à Lavagem de Dinheiro; Grafoscopia; Mercado de Capitais.

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