:: Evoluindo com o Sistema Bancário do Brasil

Nos arquivos da Associação, consta que a sua criação funcionou como elo inestimável de aproximação recíproca de banqueiros cariocas, que na época eram inteiramente desconhecidos entre si e passaram a conviver num clima de camaradagem que, aliás, muito contribuiu para facilitar a defesa da classe.

São passadas oito décadas, desde aquele 18 de novembro de 1922, quando o grupo de empresários financeiros se reuniu no salão nobre da já centenária Associação Comercial do Rio de Janeiro, presidida, atualmente, pelo prezado Ministro Dr. Marcílio Marques Moreira. O propósito foi o de fundar uma instituição comprometida com os destinos do Brasil e com o objetivo de representação classista.

Curioso notar que dos 24 bancos fundadores 75% eram instituições financeiras estrangeiras que predominavam na época. Apenas o Citibank, o Banco ABN AMRO Real S/A e o Banco Sudameris do Brasil S/A permanecem como associados e constam como fundadores sob a denominação de Rio de Janeiro The National City of Bank New York, Banco Hollandez da América do Sul e Banque Française et Italienne pour L´Amerique du Sud. O Banco do Brasil é o banco nacional mais antigo, ingressando na instituição em 1923 como iniciativa de seu empreendedor Presidente, Dr. Cincinato Braga.

É justo se registrar que a iniciativa da criação da Associação partiu do Sr. Alberto Teixeira Boavista, representante do Banque Française et Italienne pour L´Amerique du Sud. Foi eleito presidente, mantendo-se no cargo durante os primeiros oito anos de funcionamento, ao fim dos quais deixou a Associação e assumiu uma das diretorias do Banco do Brasil.

O sentido que marcou o surgimento da Associação foi o de dar apoio aos legítimos interesses do sistema bancário, na época colhido de surpresa por profundas reformas, que iriam criar mecanismos reguladores capazes de assegurar a estabilização da moeda e promover o aperfeiçoamento e a modernização do mercado de crédito. Vale a pena fazer um breve retrospecto sobre o cenário em que viviam as instituições bancárias nos últimos 15 anos da Primeira República, época extremamente rica em modificações na estrutura e na dinâmica do sistema financeiro.

Com o início da Primeira Guerra Mundial, instalou-se um clima de intensa instabilidade econômica, que resultou em fortes reivindicações dos agentes econômicos para que o Banco do Brasil se transformasse no Banco dos Bancos e fortalecesse a sua condição eventual que já desfrutava de Autoridade Monetária.

É bem de ver que já durante o Império existia grande preocupação com a necessidade de normatizar o sistema bancário, menos como incentivo inovador do que por motivos de precaução.

É somente no início da década de 20 que vão surgir as medidas eficazes de regulação do sistema financeiro, capazes de criar dimensões e condições adequadas para suportar crescente demanda de crédito como elemento indispensável e necessário ao processo de industrialização. Já naquela época a modernização do sistema bancário e a disciplina dos fluxos monetários constituíam uma exigência primária num mundo voltado para o despertar do crescimento econômico.

É nesse cenário de expectativas que vai ser criado um conjunto de medidas para dar sentido à estabilização da moeda e também permitir a igualdade de condições entre bancos estrangeiros e nacionais. Enquanto aqueles gozavam de privilégios, em razão do intercâmbio com suas respectivas matrizes no exterior, as instituições domésticas conviviam com a intranqüilidade de recorrentes crises, que as obrigavam a manter vultosos encaixes para preservar a confiança das operações. Esse excessivo grau de liquidez comprometia a oportunidade de melhor rentabilidade e impedia o fortalecimento da estrutura do seu capital.

O ponto de inflexão da intervenção do Estado no sistema financeiro vai ocorrer no primeiro ano da década de 20, quando o governo interpõe a sua autoridade em busca de disciplinar o mercado monetário e estabelecer uma organização bancária mais igualitária e em condições de aumentar a eficiência dos bancos nacionais e criar um mercado mais dinâmico e diversificado.

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