:: Evoluindo com o Sistema Bancário do Brasil

Em 1919, foi instituída a Seção de Compensação de Cheques, que iria estimular o uso e aceitação desse instrumento, adicionando liquidez à economia pelo aumento da velocidade das transações na liquidação de débitos e créditos.

Dois anos depois, em 1921, surge o ordenamento legal da Fiscalização Bancária, que cria a Inspetoria Geral de Bancos, cuja função seria a de supervisionar as transações de câmbio e estabelecer normas para a instalação e funcionamento dos bancos. Essa lei introduziu questões formais, como a definição de banco e casa bancária, além de regras de contabilidade e do processo de capitalização dos bancos. A surpresa na época é que, como conseqüência do instrumento fiscalizador, inúmeros estabelecimentos bancários nacionais, que viviam furtivamente, entre 1922 e 1929, foram conduzidos ao mercado formal.

Nesse cenário de profundas modificações do mercado financeiro, surge, então, nesse mesmo ano de 1921, o mecanismo mais esperado pelos setores empresariais, que foi a instituição da Carteira de Redesconto do Banco do Brasil, cuja função seria a de dar estabilidade ao mercado de dinheiro e incentivar confiança aos investidores, propiciando aos bancos domésticos melhores condições de concorrência com os bancos estrangeiros.

Todavia, a Carteira de Redescontos, que funcionava como uma seção anexa ao Banco do Brasil, teria uma vida efêmera, pois foi desativada em 1923, em contrapartida ao privilégio exclusivo que foi dado ao Banco do Brasil como órgão emissor de papel-moeda, prerrogativa essa que pertencia ao Tesouro Nacional. A Carteira de Redescontos, como anexo do Banco do Brasil, só voltaria a funcionar em 1930, tendo sua atividade interrompida em março de 1965, época em que foi criado o Banco Central do Brasil, que passou a partir daí a exercer as funções de prestamista de última instância.

Toda essa regulação constituiu-se em valioso instrumento que deu impulso decisivo para a criação da Associação, que ganhou status para cooperar na organização do setor bancário, buscando uniformizar suas praxes, ao tempo em que aumentou sua força de pressão perante as autoridades constituídas.
Alberto Teixeira Boavista

A Associação teve papel político inquestionável em todos os grandes acontecimentos da época, sendo, também, formadora de opinião. Sua influência política foi decisiva na formação da identidade bancária brasileira.

Junto com a Associação Comercial do Rio de Janeiro teve a oportunidade, ainda na década de 20, de trabalhar no aperfeiçoamento da lei de falências, motivada pelas recorrentes crises financeiras e pelo grande número de insucessos corporativos. Havia, pois, necessidade de buscar novas formas para complementar o aparato de proteção das incertezas e riscos do crédito. É nesse sentido que se iniciou em nossa Associação a troca de informações bancárias, confidenciais e recíprocas entre bancos, criando as condições para surgimento do cadastro bancário, hoje informatizado e de fundamental relevância como elemento de segurança nas operações bancárias.

Foi o Banco do Brasil que, em 1928, sugeriu a criação de um cadastro como meio de alcance prático para impedir o crescimento da indústria de falências que predominava na época.

A Associação atuou de forma destacada na reforma da lei cambial, no aperfeiçoamento da lei do selo. Cooperou com os Ministros da Fazenda e do Trabalho na modernização e na eficiência da fiscalização bancária, definiu os horários de funcionamento dos bancos e regulamentou os feriados da categoria.

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