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Este
trabalho apresenta o programa econômico do Brasil amparado
pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 1998 e avalia
as atuais condições do Sistema Financeiro Nacional
(SFN). Os antecedentes do acordo com o FMI firmado em 1998 evidenciam
que avanços significativos ocorreram com o advento do Plano
Real. A partir de 1994, o governo brasileiro promoveu a estabilização
da moeda e direcionou os primeiros esforços para o ajuste
das contas públicas.
Concomitantemente, importantes reformas estruturais foram iniciadas,
além da adoção de programas abrangentes de
desestatização do setor produtivo e de saneamento
gradual do SFN.
Essas iniciativas de amplo espectro foram bem-sucedidas, alcançando
resultados impressionantes. Observaram-se a redução
significativa da taxa de inflação e a retomada do
crescimento, com redução nos índices de pobreza,
em ambiente de elevação do ingresso líquido
de investimento estrangeiro direto (IED). A variação
em 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) reduziu-se de 4000%, em julho de 1994, para 3,1% em julho
de 1998. O Produto Interno Bruto (PIB) expandiu-se em termos reais
4,3% em 1994, 2,8% em 1995, 1,2% em 1996 e 1,9% em 1997. O ingresso
líquido de IED que se situava em US$ 4,4 bilhões
em 1995 atingiu US$ 28,8 bilhões em 1998.
Todos esses avanços permitiram ao Brasil enfrentar severos
choques adversos nos anos posteriores. Em dezembro de 1994, o
Brasil foi negativamente afetado pela crise do México,
a qual foi enfrentada basicamente por meio de conservadorismo
monetário. A crise asiática exerceu forte contágio
sobre a economia brasileira em 1997, induzindo ao fortalecimento
do conservadorismo monetário, conjugado a iniciativas de
ajuste fiscal.
Apesar das significativas melhorias nos indicadores e avanços
institucionais ocorridos a partir de 1994, questões
vinculadas à consolidação da estabilidade
ainda apresentavam importantes vulnerabilidades, como as associadas
ao perfil da dívida pública e às necessidades
de financiamento externo. Entre 1994 e 1998, verificaram-se a
perda de competitividade comercial ,¹ a persistência
do desequilíbrio fiscal nominal, de caráter estrutural,
e o avanço moderado da agenda de reformas.
A balança comercial, que registrara superávit de
US$ 10,5 bilhões em 1994, apresentou déficits de
US$ 3,5 bilhões em 1995, US$ 5,6 bilhões em 1996,
US$ 6,8 bilhões em 1997 e US$ 6,6 bilhões em 1998.
O saldo em transações correntes, que registrara
equilíbrio em 1994, iniciou tendência de déficits
crescentes, atingindo 4,3% do PIB em 1998. O resul-
tado primário do setor público oscilou em torno
do equilíbrio entre 1994 e 1998, implicando níveis
elevados de déficit nominal, que atingiu 7,9% do PIB em
1998. No mesmo período, a participação de
títulos públicos prefixados no total da dívida
reduziu-se de 40,2% em 1994 para 1,7% em 1998, enquanto o percentual
de títulos indexados à taxa de câmbio e à
taxa de juros ampliou-se de 24% para 92%. Na época, a agenda
de reforma apresentou avanços, mas ficaram pendentes a
reforma tributária, a regulamentação da reforma
administrativa e a reforma do mercado de trabalho.
Em face dessas vulnerabilidades e em um cenário internacional
abalado pela crise russa, a confiança dos mercados nos
fundamentos da economia brasileira deteriorou-se em 1998. Para
enfrentar os riscos à estabilização, o Banco
Central distendeu o controle sobre influxo de capitais e restringiu
a liquidez. A deterioração das expectativas, entretanto,
persistiu ao longo do ano. As reservas internacionais decresceram
de US$ 74,7 bilhões em abril para US$ 44,6 bilhões
em dezembro. O risco país, medido pelo EMBI Brasil do JPMorgan,
elevou-se de 443 pontos em 31 de março para 1718 pontos
em 10 de setembro.
Acordos 1998 a 2002
Para recompor a confiança e consolidar a estabilização,
o governo brasileiro anunciou programa plurianual de ajuste fiscal,
estabelecendo metas de superávits primários de 1999
a 2001 e adotou amplo programa econômico com apoio do FMI.
A assistência financeira internacional, para período
de 1999 a 2001, totalizou US$ 41 bilhões.2 As premissas
do programa econômico implantado foram o conservadorismo
das políticas monetária e fiscal e a adoção
de reformas estruturais adicionais.
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