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O
ambiente de tranqüilidade, advindo do acordo com o FMI, não
foi prolongado. A deterioração da confiança
ressurgiu devido a choques internos adversos, entre os quais a
não-aprovação pelo Congresso Nacional de
importantes medidas de ajuste fiscal.3 As incertezas relativas
ao compromisso de estados importantes com o ajuste de suas finanças
também contribuíram para a reversão das expectativas.
Nesse cenário, as incertezas quanto à sustentabilidade
da política econômica implicaram elevação
adicional das taxas de juros, intervenção nos mercados
à vista e futuro de divisas e anúncio de medidas
fiscais compensatórias.
A persistência da instabilidade, entretanto, configurou-se
na crise cambial de janeiro de 1999, na qual as pressões
de mercado induziram à abolição da âncora
cambial adotada em 1995. A taxa de câmbio desvalorizou-se
de R$ 1,21 por dólar, em 12 de janeiro, para R$ 2,10, em
4 de março. Nesse contexto de regime flutuante de câmbio,
tornaram-se necessárias a adoção de novas
estratégias de política econômica e a revisão
do acordo com o FMI. Verificaram-se, então, o fortalecimento
do ajuste fiscal e a adoção do regime de metas para
a inflação.
As novas estratégias para enfrentamento da crise cambial
foram bem-sucedidas. Em 1999, verificou-se o cumprimento das metas
fiscais e da meta para inflação, em cenário
de reduzido passthrough, enquanto o declínio do PIB foi
inferior ao estimado no início do ano. Houve redução
da percepção de risco do mercado e a sustentação
do ingresso líquido de IED.
Acrescente-se a melhoria do desempenho comercial, com redução
do déficit. Em 2000, a trajetória iniciada em 1999
teve continuidade, com o cumprimento das metas fiscais e da meta
para inflação, em ambiente de retomada gradual da
atividade e expressivo ingresso de IED.
A partir do segundo trimestre de 2001, conjunção
de fatores externos e domésticos implicou reversão
severa das expectativas. O agravamento da crise na Argentina,
a desaceleração da economia mundial, com destaque
para Estados Unidos (EUA), Europa e Japão, conjugados à
crise energética interna, e incertezas políticas
aumentaram a percepção de risco. O governo instituiu
o racionamento do consumo de energia elétrica, com impactos
negativos sobre as expectativas, efeito esse potencializado principalmente
pelo contágio da crise argentina sobre a economia brasileira.
Houve depreciação persistente da taxa de câmbio,
queda das bolsas de valores e dos títulos da dívida
externa, com conseqüente elevação do risco
país. A taxa de câmbio desvalorizou-se em torno de
33% entre março e outubro. No mesmo período, o Ibovespa
declinou de 14438 pontos para 11365 pontos e o EMBI elevou-se
de 811 pontos para 1163 pontos.
Nesse contexto, ressalte-se que a elevação da percepção
de risco esteve em parte associada à persistência
das vulnerabilidades relativas ao perfil da dívida pública
e às necessidades de financiamento externo, apesar dos
avanços registrados a partir de 1999. A participação
percentual dos títulos prefixados no total da dívida
mobiliária, que se elevara de 1,7% em 1998 para 15% em
2000, reduziu-se para 7,1% ao final de 2001, enquanto o percentual
da dívida indexada à taxa de câmbio e à
taxa de juros alcançou 82%. Os déficits em transações
correntes permaneceram em patamar significativo, atingindo 4,1%
do PIB em 2000 e 4,6% em 2001, persistindo assim as elevadas necessidades
de financiamento externo.
O cenário adverso de 2001 demandou novas iniciativas de
política econômica, com destaque para as elevações
consecutivas na taxa de juros básica. Adicionalmente, o
Banco Central interveio no mercado de câmbio por meio de
vendas no mercado à vista, US$ 50 milhões por dia
ao longo do segundo semestre, e da colocação de
títulos cambiais, para atender à demanda por hedge
cambial entre junho e setembro.
Em setembro de 2001, o Brasil firmou novo acordo com o FMI, prevendo
o suporte financeiro de US$16 bilhões, pelo período
de 15 meses, até dezembro de 2002. O acordo foi baseado
no aprofundamento do ajuste fiscal, na redução do
piso das reservas internacionais, no conservadorismo da política
monetária e no controle da inflação, conjugados
a avanços na agenda de reformas estruturais.
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