|
Nos últimos 22 anos, tenho estado profundamente envolvido
com o problema da imagem dos empresários em geral e dos
bancos em particular.
Fui sucessiva e, às vezes, cumulativamente consultor das
principais entidades empresariais do país: Fiesp, Febraban,
CNF, CNI etc. Participei da fundação do Fórum
Informal dos Empresários, em São Paulo, e da União
Brasileira dos Empresários.
No exercício dessas funções encomendei e
examinei inúmeras pesquisas de opinião, realizadas
pelos mais diferentes institutos, sobre a imagem dos empresários
e das suas entidades.
Em 1981, quando havia acabado de participar de uma virada de mesa
na Fiesp, alijando do poder um esquema que lá se havia
instalado há mais de 30 anos, fui procurado pelo banqueiro
Pedro Conde, então presidente da Febraban e do BCN, hoje
absorvido pelo Bradesco.
Ele estava profundamente incomodado com a imagem dos bancos e
as freqüentes acusações sobre as altas taxas
de juros cobradas pelo sistema, atribuídas injustamente
aos bancos e que acabavam por contaminar toda a opinião
pública.
Solicitei a Pedro Conde, a quem aprendi a admirar e respeitar,
um tempo para examinar o assunto.
Meses depois, visitei sistemas bancários de diferentes
países da Europa, Estados Unidos e América do Sul.
Constatei que os bancos tinham problemas de imagem em todas as
partes do mundo, não se tratava de um fenômeno só
brasileiro. Acontece que, entre nós, as coisas eram agravadas
pelo total desconhecimento das reais funções dos
bancos numa economia capitalista e, também, dos problemas
das altas taxas de juros, cuja causa era atribuída a eles,
e ao governo, principal responsável, por motivos óbvios,
não interessava esclarecer.
Procurei reunir farto material sobre a origem das taxas de juros,
aproveitando trabalhos realizados por economistas talentosos,
como Brito Alves, pertencente aos quadros da Febraban, de Adroaldo
Moura e Celso Martone, especialmente contratados.
Posteriormente, mandei elaborar uma publicação bem
simples sobre a formação das taxas de juros, mais
tarde transformada numa história em quadrinhos abrangendo
também a inflação, com milhões de
exemplares e distribuição farta.
Depois começou a fase mais difícil que era procurar
um a um jornalistas das áreas econômica e política
dos veículos mais importantes do país para explicar
didaticamente o que estava ocorrendo. Outros jornalistas, também
conceituados, mas que não estavam na ativa, foram contratados
para escreverem como ghost writers de artigos a serem assinados
por banqueiros e empresários de outras áreas.
Mais tarde, quando Roberto Bonrhausen assumiu a presidência
da Febraban, aproveitei-me da sua credibilidade dentro e fora
do sistema para partir para o ataque. Com seu inegável
talento explicava em todas as oportunidades, principalmente na
televisão, como se formavam as taxas de juros e o verdadeiro
papel dos bancos numa sociedade liberal.
Em dois ou três anos o problema estava completamente superado.
Hoje, ninguém razoavelmente bem informado atribui aos bancos
responsabilidade na política de taxas de juros, atribuindo,
corretamente, tal papel ao governo.
Persiste, é verdade, alguma distorção sobre
a imagem dos bancos. Isso, contudo, vem desde os fenícios
e trata-se de um problema cultural que faz restrições
à natureza da intermediação financeira, não
vendo os bancos como a alavanca do desenvolvimento e peça
fundamental no funcionamento de uma economia sadia e eficiente.
Nei
Lima Figueiredo
Consultor Político.
|