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Na
presente nota, o termo estrutura é utilizado no sistema
bancário da mesma maneira que em outros segmentos da atividade
econômica para quantificar o número e a distribuição
por tamanho das empresas que o compõem.
A estrutura da indústria bancária como a de qualquer
outro setor da atividade econômica é o resultado
da ação simultânea de várias forças
econômico-institucionais de maneira tão complexa
que qualquer tentativa de análise dos seus mecanismos de
interação fugiria às pretensões do
presente trabalho.
A maioria dos economistas reconhece, no entanto, que o número
e distribuição por tamanho através do tempo
das empresas de uma indústria são o resultado da
concorrência entre elas. As empresas mais eficientes aproveitam
da melhor maneira as oportunidades existentes, tornam-se mais
lucrativas e ganham fatias de mercado. As menos eficientes têm
prejuízo, perdem fatia de mercado, são absorvidas
por outras mais eficientes ou encerram suas atividades. A noção
de eficiência é igualmente associada à competência
e agressividade empresarial-administrativa e à predisposição
a adotar novas técnicas.
Os mesmos analistas reconhecem também que, no caso específico
da indústria bancária, sua estrutura é influenciada
pela ação da autoridade monetária. Onde quer
que existam um sistema financeiro organizado e uma autoridade
reguladora, essa autoridade tem entre as suas atribuições
a supervisão e acompanhamento da evolução
de sua estrutura. A Lei
4595 de 31/12/1964, que criou o Conselho Monetário Nacional
e o Banco Central do Brasil, estabelece que cabe à autoridade
monetária propiciar o aperfeiçoamento das instituições
e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior eficiência
do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos
e zelar pela liquidez e solvência das instituições
financeiras.
A autoridade monetária influencia e interfere diretamente
na estrutura do sistema bancário quando procura, com regulamentação
específica, torná-lo mais eficiente, estável
e competitivo e indiretamente quando promove variações
abruptas na condução da política monetária,
ocasionando ganhos e perdas inesperados que beneficiam ou penalizam
desigualmente as empresas do setor.
Os oito anos que se seguiram ao advento do Plano Real, em julho
de 1994, assistiram a importantes alterações na
estrutura dos bancos comerciais brasileiros. Em nenhum período
nas últimas décadas, em espaço tão
curto, ocorreram mudanças tão significativas no
número de bancos, na sua distribuição por
tamanho e na composição de seu controle acionário.
A perda da receita inflacionária e a política monetária
restritiva que se seguiram à implantação
do Plano Real atingiram todo o sistema bancário em extensão
e profundidade que até então não se tinham
observado. Os bancos mais eficientes, que já vinham em
processo de enxugamento de suas estruturas de custos, cuja qualidade
dos ativos permitiu a manutenção de adequada liquidez,
mesmo nos momentos de maior inadimplência de empresas e
pessoas físicas, puderam compensar a perda dos ganhos de
tesouraria com um maior volume de crédito e receitas de
prestação de serviços.
Por outro lado, os bancos com ativos de reduzida liquidez, concentração
em empréstimos ao setor público, área imobiliária,
agroindústria e empresas do mesmo grupo ou com atuação
quase exclusiva no mercado interbancário não conseguiram
resistir às condições adversas do mercado
que se seguiram ao Plano Real. Sofreram processos de liquidação/intervenção
e posteriormente foram absorvidos por outros bancos.
A nova estrutura do sistema bancário privado, modelada
pelos efeitos da política monetária restritiva do
Plano Real, pela política de saneamento e privatização
dos bancos oficiais e pela política de abertura do sistema
financeiro para os bancos estrangeiros, passou a exibir o seguinte
formato:
I) Consolidação:
Em dezembro de 1993, dos 245 bancos em funcionamento, 30 eram
oficiais (federais + estaduais),178 eram privados nacionais e
37 eram estrangeiros. Em julho de 2002, a rede bancária
estava reduzida a 179 bancos, sendo 14 oficiais, 95 privados nacionais
e 70 estrangeiros.
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