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II)
Concentração:
As inúmeras incorporações de bancos menores
por bancos maiores ou por bancos estrangeiros , nos últimos
anos, aceleraram a tendência de concentração
do sistema bancário privado. Os cinco maiores bancos privados,
que em 1996 detinham 42% dos ativos totais da rede privada, passaram
a acumular 53% em julho de 2002. Os 15 maiores bancos já
possuem uma fatia de 81% dos ativos totais.
III) Mudança no Controle Acionário:
A privatização de vários bancos estaduais
e federais aliada à liquidação ordinária
ou extinção de outros estaduais reduziu o número
de instituições oficiais de 30 em 1993 para 14,
em julho de 2002. A experiência histórica dos bancos
estaduais não foi boa no Brasil. Injunções
políticas levaram esses bancos a fazer má alocação
de recursos, gerando elevados prejuízos à sociedade.
No esforço para tirar o setor público do sistema
financeiro, 10 bancos foram privatizados, um virou agência
de fomento e nove foram liquidados ou extintos.
A privatização e o saneamento das instituições
oficiais, embora a um custo elevado, melhoraram a eficiência
e tornaram o sistema bancário mais estável.
A abertura da indústria de serviços bancários
para o capital externo incentivou o ingresso de novos bancos e
a expansão dos bancos estrangeiros no país. O número
de bancos estrangeiros cresceu de 37 em dezembro de 1993 para
70 em julho de 2002, passando a responder por 42% das instituições
privadas ( 70 dos 165 bancos) e a deter uma fatia de 44% do total
de ativos da rede privada. Entre os 39 maiores bancos privados
que operam no país, 25 são estrangeiros. Embora
ainda não se possam observar os propalados benefícios
da abertura para instituições estrangeiras (canalização
de recursos externos a juros mais reduzidos e prazos mais longos
que os praticados pelas instituições nacionais),
o elevado porte de seus controladores torna pouco provável
a sua saída do mercado por liquidação ou
intervenção, tornando o sistema mais estável.
Inúmeras medidas de aprimoramento nas áreas de normas,
fiscalização e supervisão bancária
do Banco Central resultaram em maior solidez e transparência
na atividade bancária. Merecem destaque as adaptações
das instituições financeiras brasileiras às
normas do Acordo de Basiléia que resultaram em substancial
elevação dos valores mínimos de capital realizado
e patrimônio liquido; a criação de uma central
de riscos e a vinculação do capital mínimo
à qualidade dos ativos bancários.
A partir do ano 2000, os bancos passaram obrigatoriamente a classificar
o risco de seus empréstimos - e também a estabelecer
correspondentes provisões para perdas - sob critérios
mais amplos e conservadores. Antes, os parâmetros diziam
respeito ao atraso nos pagamentos e à existência
ou não de garantias. Agora existem nove níveis de
risco que levam em consideração, além dos
critérios anteriores, a qualidade do devedor, o tipo, a
destinação e o valor do empréstimo.
As novas regras exigem uma provisão maior e mais ajustada
de reservas em relação às efetivas condições
de risco de crédito nas carteiras dos bancos.
A recente implantação do Sistema Brasileiro de Pagamento
(SBP) deu velocidade à liquidação de débitos
e créditos, incutiu maior segurança às transações
financeiras e reduziu o risco sistêmico.
A nova estrutura, que resultou de todo esse processo de transformação,
concentração, consolidação e regulamentação
da atividade bancária iniciado com o Plano Real, apresenta
bancos saneados, adequadamente capitalizados e assumindo menores
riscos, o que os torna mais preparados para enfrentar e sobreviver
aos efeitos de crises externas e internas!
Antonio
Chagas Meirelles
Mestre em Economia pela Universidade de Stanford,
ex-Diretor do Banco Central e do Banco do Brasil.
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