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Deve-se ainda notar que os bancos privados nacionais e estrangeiros,
em sua maior parte, concediam crédito apenas a curto prazo,
apesar da demanda por recursos de longo prazo. As explicações
para tal comportamento se encontram na maior rentabilidade obtida
pelos bancos em operações de curto prazo, em maiores
garantias de segurança e liquidez e no descasamento entre
os prazos do ativo e passivo dos bancos, impedindo a realização
de empréstimos a longo prazo.
A falta de suporte governamental, incapaz de oferecer o mínimo
de segurança aos estabelecimentos creditícios, era
mais um fator que contribuía para a inexistência
de financiamentos a projetos de grande porte.
Logo após o fim do regime imperial, o país passou
pela conjunção das medidas expansionistas adotadas
por Rui Barbosa, o primeiro Ministro da Fazenda da era republicana
- que resultou numa espantosa bolha especulativa, conhecida como
o Encilhamento - e as regras ortodoxas impostas por Joaquim Murtinho,
Ministro da Fazenda do Presidente Campos Sales, no sentido de
reordenar a liquidez do sistema econômico e amparar as sucessivas
liquidações de bancos, conhecidas como a Crise Bancária
de 1900.
No início do século XX, as praças do Rio
de Janeiro e de São Paulo solicitavam a existência
de um estabelecimento bancário governamental como forma
de respaldo às atividades econômicas ali desenvolvidas.
Fazia-se necessária a criação de uma instituição
estatal reguladora do mercado que servisse de instrumento para
coibir de forma mais eficiente as especulações no
mercado de câmbio pelos bancos estrangeiros. A reabertura
do quinto Banco do Brasil, em 1905, foi o primeiro passo no sentido
de normatizar, de modo mais rigoroso, o sistema bancário,
pois, além de exercer atividades comerciais, ganhou certas
atribuições de Banco do Governo, cujo presidente
era nomeado pelo Governo Federal. O Banco do Brasil, além
de poder emitir moeda juntamente com o Tesouro Nacional, também
operaria no mercado de câmbio e em atos relacionados às
dívidas interna e externa.
O capital forâneo, que até então tinha total
ascendência sobre as transações cambiais,
agora, sofreria certas restrições em suas operações
ligadas a especulações cambiais, pois o Banco do
Brasil, tornando-se agente de política econômica
da União, garante um certo controle às desenfreadas
arbitragens cambiais.
A consolidação da estabilidade econômica do
país, o novo papel da Grã-Bretanha de exportadora
de capitais, tendo na dinâmica da economia brasileira forte
atrativo para a rentabilidade de seus recursos, e a reabertura
do quinto Banco do Brasil foram os fatores determinantes para
o amadurecimento e a consolidação do sistema bancário
nacional.
Com o advento da Primeira Guerra Mundial, seguem-se um processo
de refluxo dos recursos externos e a conseqüente escassez
de divisas externas no país. Mediante esse quadro, o Estado
Brasileiro, objetivando controlar a contínua saída
de divisas, inicia a inspeção das transações
internacionais de todos os bancos.
Em 1917, são implantadas novas regras governamentais no
sentido de frear, definitivamente, as especulações
cambiais. Somente três tipos de operações
cambiais seriam permitidos no futuro: o pagamento de dívidas
públicas e privadas, o pagamento de produtos importados
e manutenção de brasileiros (e estrangeiros em países
amigos) no exterior.
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