:: Sistema Eficiente

É sem dúvida uma grande satisfação para todos aqueles que militam no sistema bancário brasileiro comemorar os 80 anos daquela que é a sua entidade representativa mais antiga. Sendo o Rio de Janeiro a capital do País na época de sua criação, em1922, a Aberj - Associação dos Bancos no Estado do Rio de Janeiro - nasceu com missão de extrema importância: representar o sistema bancário junto ao governo central.

O papel da Aberj nessas oito décadas, contudo, alterou-se substancialmente, sendo direcionado a partir de 1967, com o surgimento da Febraban, para as áreas de formação, treinamento e desenvolvimento de recursos humanos. Esse redirecionamento contribuiu de forma extremamente positiva para a formação e a reciclagem de milhares de bancários, que acompanharam, com seus cursos, seminários e discussões técnicas, as grandes transformações do Sistema Financeiro Nacional, evoluindo de uma estrutura fragmentada, com um grande número de instituições, a maioria atuando de forma autônoma em diversos segmentos e regionalizada, para um sistema de bancos múltiplos, bem estruturado e mais consolidado.

A unificação de carteiras, a busca de economias de escala, a formação de redes nacionais com vultosos investimentos em telecomunicações e tecnologia da informação e a sua rápida e intensa consolidação nos últimos anos resultaram num sistema bem mais eficiente e competitivo, efetivamente aberto ao capital estrangeiro, com forte concorrência entre players nacionais (privados e públicos) e estrangeiros.

A existência desse sistema financeiro bem consolidado e ajustado aos novos parâmetros internacionais constitui-se num dos grandes trunfos que permitem ao País enfrentar crises internas e externas, sem os abalos que atingiram economias com sistemas financeiros mais frágeis, submetidas a graves crises de confiança que desestabilizaram suas moedas e seus sistemas produtivos.

Num momento de transição política, a existência de um sistema financeiro nessas condições é de extrema importância para a superação dos grandes desafios econômicos e sociais, que deverão ser enfrentados pela Nação, sob coordenação de um novo governo. Nessa nova etapa que em breve se inicia, a atuação dos bancos continuará sendo vital, principalmente na intermediação de recursos - internamente para permitir ao governo administrar a dívida pública e ao setor privado sustentar a produção e o consumo e externamente para complementar a poupança que nos permite investir e equilibrar nosso balanço de pagamentos.

Caberá ainda às instituições bancárias ampliar essa intermediação financeira de forma cada vez mais eficiente, alavancando negócios para os diversos setores da economia e assegurando a manutenção de uma rede cada vez mais ágil e segura de pagamentos e de prestação de serviços para todos os setores da economia e segmentos da sociedade.

Nesse momento de transição, em que novos rumos devem ser discutidos e mudanças implementadas para a superação das atuais dificuldades, os bancos, através de suas entidades representativas e principais lideranças, estão abertos ao entendimento e à cooperação, para que o País retome o crescimento de forma sustentada, preservando suas grandes conquistas, especialmente a estabilidade de sua moeda e a confiança de investidores internos e externos.

Dos entendimentos e da cooperação dos diversos setores econômicos e sociais com a nova administração pública federal certamente sairão as soluções de interesse comum, essenciais à recuperação da confiança dos investidores, à redução dos juros internos e externos e à retomada do desenvolvimento do País.

Os bancos têm consciência do importante papel que lhes cabe desempenhar para auxiliar na busca e na implantação dessas soluções e continuarão atuando com crescente responsabilidade social para que o País retome o desenvolvimento e possa oferecer empregos e melhores condições de vida aos seus habitantes, ampliando sua participação entre as maiores economias do mundo.

Gabriel Jorge Ferreira
Presidente da Febraban
(Federação Brasileira dos Bancos.)