:: Sistema Bancário e Desenvolvimento


É difícil imaginar nossa vida cotidiana sem a presença dos bancos. É por meio deles que recebemos salários e quaisquer outros rendimentos, pagamos contas, liquidamos contratos, contratamos seguros, aplicamos nossas poupanças, financiamos consumo e investimentos, obtemos crédito e realizamos incontáveis operações financeiras em nossa vida civil e profissional. O sistema bancário está presente em todas as circunstâncias da vida econômica de uma sociedade.
Essa presença tem sido crescente desde o surgimento da instituição bancária, que se confunde com o próprio aparecimento do sistema capitalista de produção. De fato, a evolução da economia feudal para a mercantilista e, posteriormente, para a capitalista tornou-se possível com a transformação dos antigos cambistas medievais em casas bancárias.

Até o final do século XVIII o mercantilismo ainda predominava. A revolução industrial estava em seus primórdios e circunscrita à Inglaterra. Naquele contexto o sistema financeiro se dedicava primordialmente ao financiamento do comércio, sobretudo o comércio internacional com as letras de câmbio, à provisão de liquidez, à atividade produtiva e à banca governamental.

Mas já no início do século XIX, após o fim das guerras napoleônicas, o crescimento econômico ganha impulso na Europa continental. A demanda por fundos de longo prazo no financiamento dos investimentos apresentou novos desafios ao sistema bancário. Em resposta, surgiram novas modalidades de operações voltadas à intermediação de longo prazo e à assunção de riscos pelos bancos de investimento e posteriormente bancos de desenvolvimento, que passaram a executar operações de crédito típicas de fomento.

Data também de meados do século XIX o surgimento das caixas econômicas e dos bancos cooperativos, originalmente na Alemanha e na Suíça, marcando a presença das instituições financeiras na arregimentação de poupanças populares, no financiamento de pequenos negócios e de cooperativas de produtores e no crédito hipotecário.

Os bancos são hoje instituições de caráter universal, no que toca à diversidade de suas operações, e com presença marcante no mundo globalizado. São agentes financeiros de empresas, indivíduos e governos.

Como agentes do desenvolvimento, além da intermediação de fundos de longo prazo, tornaram-se indispensáveis na operacionalização dos mercados de capitais. É por essas vias que as poupanças dos grandes investidores institucionais - fundos de investimentos, fundos de previdência, reservas técnicas de companhias de seguro e de empresas em geral - fluem de forma cada vez mais eficiente para as oportunidades de investimento na economia. E, na prestação de serviços, os bancos se transformaram em celeiros de expertise na avaliação dos investimentos (avaliação de projetos, de empreendimentos e de empresas), dos riscos e na administração dos portfolios dos investidores.

No Brasil, os bancos surgem com o alvorecer da Independência, quando da fundação do Banco do Brasil. As caixas econômicas datam de meados do século XIX, assim como o surgimento dos bancos comerciais privados e provinciais. Os bancos de desenvolvimento surgiram a partir da constituição do BNDES, em 1952, mas desde 1942, com a criação do Banco da Amazônia, e até mesmo nos anos 30, com a criação da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial, CREAI, do Banco do Brasil, já se praticava o financiamento do desenvolvimento pelo nosso sistema bancário. A Lei 4595, que estruturou o sistema financeiro brasileiro, em dezembro de 1964, viria finalmente qualificar e definir de forma permanente as funções do sistema bancário, especialmente a sua participação no desenvolvimento brasileiro.

O Brasil dispõe hoje, reconhecidamente, de um sistema financeiro eficiente, por qualquer padrão de comparação internacional, e sólido, capaz de enfrentar os desafios do financiamento do desenvolvimento.

Carlos von Doellinger
Economista.